terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Evasão escolar–conceitos

sala_aula_vaziaNa postagem anterior Evasão escolar – conceitos e preconceitos falamos de maneira geral sobre o assunto, diferenciando conceitos e preconceitos como causas da evasão escolar. Vamos agora ver como os conceitos dos alunos podem influenciar em seu rendimento e também na motivação para aprender e continuar o curso até o final.
1. Conceitos

Os conceitos são adquiridos a partir de experiências pessoais. Para que um conceito seja formado temos que ter entrado em contato com experiências que geraram resultado semelhante, de forma a confirmá-lo. Ao adquirirmos um conceito tendemos a levar em consideração todas as experiências que o confirmam e ignorar as outras com resultados diferentes, o que significa que um conceito não é necessariamente formado de maneira científica. Como os resultados diferentes daquele que se pretende eleger como majoritário são ignorados ou evitados, pode-se dizer que a formação de conceitos pode ser tendenciosa.

O que faz com que o aluno abandone determinado conceito que não corresponde à realidade é colocá-lo em contato com experiências semelhantes com resultado diverso ou experiências diversas com resultados semelhantes. Colocando o indivíduo frente à tendenciosidade de sua “análise científica” podemos mostrar a ele que tais resultados podem ser profundamente influenciados pelo indivíduo e fatores emocionais que o fazem chegar às conclusões que quer chegar.

Dessa forma ele irá perceber que há diferenciais que precisam ser levados em conta antes de transformar uma experiência em conceito, e que mesmo após essa aquisição o mesmo deverá ser constantemente testado e questionado, comparado a outros conceitos e modificado sempre que necessário.

Ao criar esses conceitos o aluno não leva em conta:

Diferenças individuais – todo conceito científico só pode ser levado a sério se indivíduos com características diferentes e em grande número forem expostos à determinada experiência. Somente mesclando um determinado número de indivíduos com característica diferenciadas conseguiremos uma amostra que poderá ou não ser conclusiva.

Como já foi dito anteriormente, a aquisição desse conceito não obedece às regras da pesquisa científica. As “amostras” geralmente são em número bastante limitado (o vizinho, o sobrinho, etc.) e as experiências que apresentam resultado diverso são ignoradas.

Contextos diferentes – para ser elevada ao status de conceito a ideia inicial precisa ser testada em ambientes e situações diferentes para gerar resultados confiáveis. Duas pessoas com características semelhantes em situações similares não constituem variável científica suficiente para dar credibilidade a qualquer conceito.

Vamos analisar então os casos que nos serviram de exemplo no início:

Caso 1

O aluno tem uma tia que viveu no exterior e tornou-se fluente no idioma nativo. Acredita que só morando em um país de língua estrangeira irá aprender o idioma.

Para que isso seja verdade, temos que levar em conta vários fatores:

a) Motivação: quem vai morar no exterior com a intenção de aprender um idioma deve ter uma motivação forte, ou desistirá da ideia assim que encontrar outras coisas mais interessantes para fazer no país onde está. Poderá interessar-se pela cultura, pontos turísticos, vestimenta, artes, etc., e com isso abandonar o estudo da língua. Para que os esforços sejam contínuos e constantes, a motivação tem que estar presente. Ir com tempo “contado” pode ser uma delas, como o funcionário que vai passar um ano fazendo uma especialização (e aprendendo o idioma) para assumir um cargo mais elevado assim que retornar.

b) Envolvimento: sem que exista um envolvimento emocional com o povo do país não haverá aprendizado. Temos milhares de exemplos na cidade de São Paulo, onde há décadas recebemos orientais que se isolam de nossa cultura e não falam nem entendem português mesmo depois de morar aqui por 20 ou 30 anos.

c) Orientação: além de morar no exterior é importante frequentar um curso para dirimir dúvidas, aprender regras gramaticais, entender os costumes no uso da língua, diferenças culturais e também corrigir pronúncia, entonação, etc.

d) Foco: o aluno tem que manter o foco, prestar atenção ao uso da língua ao seu redor, usá-la o máximo possível, verificar seus erros e progressos. Quem fica em regiões onde há nativos de seu país tem menos chances de aprender, porque a necessidade de comunicação faz com que o aprendizado se processe de forma mais rápida, já que o cérebro o entende como “necessário” e passa a processar tudo o que foi aprendido e praticado durante o dia. Se o aluno está num país que fala outra língua mas usa seu idioma nativo boa parte do tempo, esse aprendizado passa de “necessário” a “secundário” para as funções mnemônicas, então grande parte do que é aprendido é deletado em seguida, ou é arquivado em “prateleiras” de difícil acesso, como fazemos com objetos que não pensamos em usar com frequência.

Caso 2

O aluno tem um amigo que estudou durante anos e mesmo depois de formado é incapaz de conversar ou entender o idioma escrito ou falado. Acredita que os cursos ensinam um idioma irreal, que não é o mesmo usado no país nativo.

Cada caso é um caso. Existem boas e más escolas, assim como existem bons e maus alunos, que frequentam um curso mas fazem tudo para boicotar o próprio aprendizado: não fazem lição de casa, recusam-se a “expor-se” ante os outros alunos falando o idioma com medo de “pagar mico”, insistem em ler e falar o idioma como se fosse o próprio porque se consideram ridículos imitando a pronúncia do idioma que estão aprendendo.

Seguindo a mesma linha de raciocínio, há professores e escolas que ensinam coisas que não serão usadas, ou porque já caíram em desuso ou porque são formais demais, técnicas demais. Da mesma forma como acontece no Brasil, temos que aprender desde cedo a mudar nossa “linguagem”. A linguagem que usamos no trabalho é diferente da que usamos em casa, que também difere da que usamos com um estranho na rua. Aprender essas nuances no uso da língua talvez seja até mais importante do que ter um vasto vocabulário ou saber todas as regras gramaticais.

O uso de novelas, filmes, seriados, comerciais, músicas, artigos de jornais e revistas dá ao aluno e ao professor a exata dimensão do uso que se faz do idioma em cada país e como ele evolui com o passar do tempo. O curso tem que ser dinâmico para acompanhar o desenvolvimento natural da língua. O livro com o qual seu avô aprendeu inglês há 40 anos (sem revisões) certamente não será o melhor recurso para você.

É importante – sobretudo – que se intercalem recursos técnicos (livros acadêmicos) e “autênticos” (fitas de áudio com conversas, comerciais de TV, músicas atuais, etc.) para contrabalançar o estudo do idioma como um todo, mas não deixando de mostrar como a língua é usada em determinado tempo ou local.

Caso 3

O aluno já frequentou cursos de idiomas em diversas escolas, nunca ultrapassando o nível básico. O aluno acredita que é “incapaz” de aprender outro idioma.

Nós nos impomos limites e depois não conseguimos ultrapassá-los. As maiores barreiras são construídas por nós mesmos, motivados pelo medo de fracassar. O fracasso traz a frustração e o sentimento de impotência e nem todos estão preparados para lidar com frustração e impotência. A melhor fuga para esses sentimentos é simplesmente não tentar, e para isso criamos todos os tipos de argumentos e ilusões para justificar a nossa covardia.

Alguns alunos se dizem “burros” demais para aprender, velhos demais, ou simplesmente dizem que “não conseguem”, como se fosse necessário um determinado tipo de gene (que lhes falta) para aprender outro idioma.

Aprender um segundo idioma é mais fácil que aprender o primeiro, visto que quando aprendemos nosso idioma nativo nem tínhamos a exata consciência do que estávamos fazendo, e se o fizemos foi de forma instintiva. Quando adultos temos muito mais recursos (inclusive por já não sermos “leigos”, porque já aprendemos um idioma antes) e esse aprendizado deve se processar de forma mais rápida.

Levamos cerca de 6 anos para dominar nosso idioma pátrio, estima-se que conseguimos o mesmo com metade ou um terço do tempo no segundo, mas para isso temos que dedicar várias horas ao aprendizado, ouvir e usar o idioma na forma escrita e falada, ler bastante, revisar o que já aprendemos. Quanto mais nos dedicarmos, mais e mais depressa progrediremos.

Mas tudo isso desde que não nos escudemos atrás da desculpa do “não consigo”. A não ser que o aluno tenha sérios problemas nas cordas vocais, língua ou boca, eles são iguais aos de um americano ou mexicano, apenas é necessário aprender a usar todo esses “apetrechos naturais” da mesma forma que eles. Tudo isso leva tempo, não é feito em questão de semanas. Alguns anos são necessários mas perseverar é a única forma de conseguir resultados.

Zailda Coirano

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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Evasão escolar–conceitos e preconceitos

thinkingComo já vimos nas postagens Evasão escolar 1 e Evasão escolar 2, onde estabelecemos possíveis motivos para a evasão escolar e falamos sobre os sonhos dos alunos, vamos tratar agora de motivos criados pela forma com que o aluno entende a realidade sua ou de outros.

Quando se matriculam numa escola de idiomas muitos alunos já trazem uma bagagem considerável de ideias que poderão interferir de forma negativa ou positiva em seu aprendizado futuro. Vamos aqui dividir essa ideias em conceitos e preconceitos:

- conceitos: ideias adquiridas por experiência sua ou de outros, mesmo que não correspondam à realidade da maioria dos indivíduos que vivenciaram a mesma experiência.

- preconceitos: ideias baseadas em conceitos errôneos ou firmadas a partir de conclusões do próprio indivíduo com ponto de vista exterior à problemática em questão.

Nesse capítulo vamos diferenciar os dois tópicos, pois a forma de lidar com eles e ajudar o aluno a reconhecê-los é diferenciada.

Vamos ver abaixo alguns casos clássicos e frequentes, motivados por conceitos ou preconceitos.

Caso 1

O aluno tem uma tia que viveu no exterior e tornou-se fluente no idioma nativo. Acredita que só morando em um país de língua estrangeira irá aprender o idioma.

Caso 2

O aluno tem um amigo que estudou durante anos e mesmo depois de formado é incapaz de conversar ou entender o idioma escrito. Acredita que os cursos ensinam um idioma irreal, que não é o mesmo falado no país nativo.

Caso 3

O aluno já frequentou cursos de idiomas em diversas escolas, nunca ultrapassando o nível básico. O aluno acredita que é “incapaz” de aprender outro idioma.

Esses três casos exemplificam “conceitos”, porque foram adquiridos por experiências vivenciadas pelo indivíduo ou por indivíduos próximos a ele. Esses “conceitos” são os mais difíceis de serem eliminados porque estão sedimentados sobre um “exemplo real” que não podemos questionar. Ou podemos?

Caso 4

Baseado sabe-se lá em que teoria maluca, o aluno acha que só conseguirá falar uma palavra se souber como ela é escrita.

Caso 5

O aluno acredita que só conseguirá entender o significado das palavras ou como usá-las se souber sua tradução literal para seu idioma.

Caso 6

O aluno crê que para entender uma frase precisa saber a classe gramatical das palavras, as regras gramaticais envolvidas no uso de cada uma delas, decorar todas as regras antes de começar a usá-las.

Os três casos acima exemplificam casos clássicos de “preconceito”, pois não se sabe baseado em quê o aluno carrega essas ideias. Mesmo não tendo qualquer base científica ou experiência sua ou de outros que as comprove, só percebendo que esses preconceitos não têm razão de ser elas serão extirpadas ou canalizadas para atuar de forma positiva no aprendizado.

Zailda

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