terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Evasão Escolar 2

evasão escolar(Continuando a postagem em Evasão Escolar (1), hoje vamos falar sobre o primeiro assunto, que é a motivação.)

 

I - Motivação (sonho)

Antes de saber a motivação do aluno, temos que conhecer seu sonho. Ninguém se matricula numa escola para assistir aulas, fazer exercícios e provas, ter lição de casa... Isso faz parte do processo, mas não é o objetivo do aluno.

Por trás de cada matrícula há um sonho e nossa tarefa primordial é descobrir qual é o sonho de nosso aluno. Esse sonho pode estar direcionado para várias áreas:

- profissão - conseguir um emprego, ganhar um salário melhor ou uma promoção, trabalhar no exterior, fazer um curso de especialização em outro idioma, acrescentar um título a seu currículo, entrar para o mercado de trabalho, conseguir outra forma de renda.

- estudos – melhorar a nota na escola, conseguir passar no vestibular, eliminar a matéria da grade da faculdade.

- lazer – viajar, conhecer pessoas que falem outra língua, jogar videogames que ainda não foram lançados no Brasil, acessar sites de língua estrangeira, entender a letra das músicas de sua banda favorita, assistir filmes sem legenda.

- independência – acessar sites, tutoriais, manejar aparelhos com manual em outra língua, instalar e utilizar recursos de aparelhos com instruções em idioma estrangeiro.

- status – apresentar-se em público ou em seu círculo falando outro idioma, ser reconhecido como falante de outra língua, participar de discussões em idioma estrangeiro.

Não iremos aqui discutir a validade desses objetivos, uma vez que não nos cabe julgar. Cada pessoa tem o direito de sonhar com o que quiser e nos casos citados acima (bem como outros que você poderia pensar e acrescentar aqui) o idioma entra não como “objetivo”, mas como “ferramenta” para que o aluno chegue onde quer.

Vamos ver um exemplo: quem se matricula numa academia dificilmente tem como objetivo “fazer exercícios, suar, acordar com dor no corpo todo”. Os objetivos normalmente são: melhorar a saúde e qualidade de vida, dar forma ao corpo, emagrecer, adquirir massa muscular, força, e assim por diante.

Todo o processo que se passa dentro da academia não é o objetivo, mas apenas a forma pela qual a pessoa irá atingir seu objetivo, que é o corpo perfeito, a forma recuperada, o cardiologista satisfeito. Quem se matricula na academia está comprando um corpo malhado, ou aceitação social, paquera do sexo oposto. Ninguém vai a uma academia comprar “exercícios”.

Da mesma forma ninguém realmente compra um curso quando se matricula em um. Como já vimos, cada pessoa compra um sonho. Ao matricular-se ela já antevê: “estou comprando minha independência; estou comprando a viagem dos meus sonhos; estou comprando uma nota melhor; estou comprando status” – e assim por diante.

Esse objetivo é a mola que move essa pessoa para que vença os obstáculos e frustrações e é esse sonho que deve ser alimentado sempre que a força das influências negativas se tornar maior que a motivação para realizar o sonho.

Sempre que sentimos que esse aluno está desmotivado ou pensando em desistir, vamos ajudá-lo reavivando em sua memória a lembrança de seu sonho, que está a cada dia mais próximo, e que poderá se tornar inatingível se abandonar seu curso no meio do caminho.

Num curso com duração de alguns anos pode acontecer de o indivíduo mudar e mudar também o seu sonho, e pode ser que para atingir seus novos sonhos o idioma não seja mais necessário; também pode acontecer de surgirem outros sonhos que envolvam o idioma, ou que o próprio aluno encontre outros usos e formas de sentir prazer usando as habilidades adquiridas.

A meu ver o papel do professor não é apenas ensinar, mas também ajudar o aluno a manter sempre claros os seus objetivos, incentivando-o o mostrando quanto do caminho em direção a seu sonho já foi percorrido.

Zailda Coirano

Website ǀ SOS Idiomas ǀ Facebook ǀ Twitter ǀ Web rádio (em breve)

sábado, 24 de dezembro de 2011

Evasão escolar 1

evasão escolarHoje em dia é muito importante dominar um segundo idioma e essa necessidade leva milhares de alunos às escolas do Brasil inteiro. Infelizmente o número de desistências ainda é muito alto, há um afunilamento visível e constante, e uma porcentagem ínfima dos que iniciaram um curso chegam a concluí-lo e conseguem  tornarem-se fluentes, desenvolvendo as 4 habilidades: compreensão auditiva, fala, leitura e escrita.

Os dados do IBGE sobre o problema – que ocorre também nas escolas regulares – são alarmantes: de cada 100 alunos que matriculam-se na primeira série do ensino fundamental apenas 5 chegam a concluir a 8ª série. Estima-se que cerca de 13% dos alunos abandonam a escola por ano no ensino secundário.

Nas escolas de idiomas, além dos fatores registrados como causadores da evasão escolar, há ainda outros que decorrem independentemente de problemas financeiros, de trabalho ou familiares.

Também se registra um elevado o número de alunos de cursos de idiomas que migram de uma escola para outra, sem nunca atingirem um grau consistente no uso da língua; outros mudam de um idioma para outro sem nunca superarem a barreira do nível básico. Por que isso acontece?

Vamos aqui analisar as causas e possíveis soluções para resolver ou minimizar o problema, ajudando nosso aluno a chegar ao seu objetivo. Como o “ensino” só acontece se houver aprendizado, grande parte de nossa missão depende de seu progresso, e trataremos aqui de formas para conscientizá-lo e encorajá-lo, ajudando-o a abandonar falsos conceitos e preconceitos que podem interceptar sua trajetória rumo ao que mais deseja.

Para que essa ajuda seja efetiva e consigamos os resultados almejados, precisamos conhecer esse aluno, bem como sua motivação principal ao matricular-se numa escola de idiomas. Também o ajudaremos a lidar com conceitos errôneos – adquiridos através de experiência sua ou de outros – e seus preconceitos – firmados com base em dados inconsistentes ou aleatórios que não representam a realidade do aprendizado de um idioma.

Naturalmente que não vamos aqui resolver ou tratar dos casos em que o aluno deixa a escola porque está com problemas financeiros, vai casar-se ou mudar de cidade. Os problemas tratados aqui podem ser entendidos como “comuns aos alunos de cursos de idiomas” e os colegas que trabalham na área já devem tê-los detectado.

Eu dividiria a problemática do aluno em:

- motivação (sonho)

- conceitos e preconceitos

- limitações (naturais do indivíduo, adquiridas ou impostas por ele mesmo)

Durante o final de ano trataremos dessa problemática que aflige professores e alunos, tentando também analisar formas concretas para ajudar o aluno a lidar com elas, resolvê-las ou adaptá-las às suas necessidades individuais.

Zailda Coirano

Website ǀ SOS Idiomas ǀ Facebook ǀ Twitter ǀ Web rádio (em breve)

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