(Continuando a postagem em Evasão Escolar (1), hoje vamos falar sobre o primeiro assunto, que é a motivação.)
I - Motivação (sonho)
Antes de saber a motivação do aluno, temos que conhecer seu sonho. Ninguém se matricula numa escola para assistir aulas, fazer exercícios e provas, ter lição de casa... Isso faz parte do processo, mas não é o objetivo do aluno.
Por trás de cada matrícula há um sonho e nossa tarefa primordial é descobrir qual é o sonho de nosso aluno. Esse sonho pode estar direcionado para várias áreas:
- profissão - conseguir um emprego, ganhar um salário melhor ou uma promoção, trabalhar no exterior, fazer um curso de especialização em outro idioma, acrescentar um título a seu currículo, entrar para o mercado de trabalho, conseguir outra forma de renda.
- estudos – melhorar a nota na escola, conseguir passar no vestibular, eliminar a matéria da grade da faculdade.
- lazer – viajar, conhecer pessoas que falem outra língua, jogar videogames que ainda não foram lançados no Brasil, acessar sites de língua estrangeira, entender a letra das músicas de sua banda favorita, assistir filmes sem legenda.
- independência – acessar sites, tutoriais, manejar aparelhos com manual em outra língua, instalar e utilizar recursos de aparelhos com instruções em idioma estrangeiro.
- status – apresentar-se em público ou em seu círculo falando outro idioma, ser reconhecido como falante de outra língua, participar de discussões em idioma estrangeiro.
Não iremos aqui discutir a validade desses objetivos, uma vez que não nos cabe julgar. Cada pessoa tem o direito de sonhar com o que quiser e nos casos citados acima (bem como outros que você poderia pensar e acrescentar aqui) o idioma entra não como “objetivo”, mas como “ferramenta” para que o aluno chegue onde quer.
Vamos ver um exemplo: quem se matricula numa academia dificilmente tem como objetivo “fazer exercícios, suar, acordar com dor no corpo todo”. Os objetivos normalmente são: melhorar a saúde e qualidade de vida, dar forma ao corpo, emagrecer, adquirir massa muscular, força, e assim por diante.
Todo o processo que se passa dentro da academia não é o objetivo, mas apenas a forma pela qual a pessoa irá atingir seu objetivo, que é o corpo perfeito, a forma recuperada, o cardiologista satisfeito. Quem se matricula na academia está comprando um corpo malhado, ou aceitação social, paquera do sexo oposto. Ninguém vai a uma academia comprar “exercícios”.
Da mesma forma ninguém realmente compra um curso quando se matricula em um. Como já vimos, cada pessoa compra um sonho. Ao matricular-se ela já antevê: “estou comprando minha independência; estou comprando a viagem dos meus sonhos; estou comprando uma nota melhor; estou comprando status” – e assim por diante.
Esse objetivo é a mola que move essa pessoa para que vença os obstáculos e frustrações e é esse sonho que deve ser alimentado sempre que a força das influências negativas se tornar maior que a motivação para realizar o sonho.
Sempre que sentimos que esse aluno está desmotivado ou pensando em desistir, vamos ajudá-lo reavivando em sua memória a lembrança de seu sonho, que está a cada dia mais próximo, e que poderá se tornar inatingível se abandonar seu curso no meio do caminho.
Num curso com duração de alguns anos pode acontecer de o indivíduo mudar e mudar também o seu sonho, e pode ser que para atingir seus novos sonhos o idioma não seja mais necessário; também pode acontecer de surgirem outros sonhos que envolvam o idioma, ou que o próprio aluno encontre outros usos e formas de sentir prazer usando as habilidades adquiridas.
A meu ver o papel do professor não é apenas ensinar, mas também ajudar o aluno a manter sempre claros os seus objetivos, incentivando-o o mostrando quanto do caminho em direção a seu sonho já foi percorrido.
Zailda Coirano
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